Diretrizes curriculares são homologadas por ministro substituto

Objeto de divergência entre Conselho Nacional da Educação e meio acadêmico, medida é voltada à sala de aula, dizem apoiadores

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Texto publicado em 20/12/2019

Foi homologado ontem pelo ministro substituto da Educação, Antônio Paulo Vogel de Medeiros, o parecer 22/2019, aprovado pelo pleno do Conselho Nacional de Educação em 7 de novembro último. O parecer trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a formação, a BNC da Formação.

Publicada no Diário Oficial da União de hoje, 20 de dezembro, o parecer transformou-se na Portaria 2.167, de 19/12/2019 e foi objeto de comemoração de setores que defendiam a resolução como forma de tornar a formação mais prática, entre eles o movimento Todos pela Educação. Do outro lado dos debates estão os representantes de diversas entidades de classe das universidades, tais como a Anped, Anfope e Anpae, que haviam se manifestado publicamente pela revogação do parecer em prol da Resolução número 2/2015 do CNE.

Em 27 de novembro último, a professora Helena de Freitas, professora aposentada da Unicamp e ligada à Anped, havia publicado em seu blog uma versão do parecer, comparando-o ao Australian Professional Standards for Teachers, o qual, segundo ela, serviu de referência ao documento brasileiro.

As medidas adotadas na Austrália visavam à melhoria do desempenho da educação local no Pisa, a avaliação da OCDE. Mas a educação do país da Oceania teve queda de desempenho quando analisados os últimos 15 anos.

Já os defensores do novo documento brasileiro dizem que “finalmente [há] uma orientação para uma formação mais prática e mais voltada à sala de aula”, diz comunicado da diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, distribuído ainda no dia da assinatura.

A questão central da divergência engloba alguns pontos-chave: políticas públicas com objetivos e metas gerais versus a autonomia docente, a possível flexibilização da oferta pública em prol da gestão privada, objetivos educacionais mais voltados a questões práticas e ao mercado de trabalho versus uma formação mais humanista. O debate é pertinente, até porque a educação brasileira não tem conseguido entregar de forma equânime nenhuma das duas coisas.

Termômetro da sua distância de um tema tão essencial, o ministro Abraham Weintraub absteve-se de assinar ele próprio o documento, preferindo deixar para que a homologação ocorresse em seu período de férias. Em diversos setores da imprensa e dos meios políticos e educacional acredita-se que ele não volte. Ou que volte por um curto período de tempo e seja substituído.

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Curtas

  •   Teve início em 29/06  a websérie “Caminhos do Devir – Volta às aulas pós-Covid-19”, com o debate sobre “Como aplicar a gestão de crises para planejar a volta às aulas de forma segura”. Os educadores e sócio-fundadores da Devir Projetos Educacionais, Luis Laurelli e Eloisa Ponzio, além do consultor Flávio Schmidt, consultor em gestão de crises do Grupo Trama Comunicação, analisaram as estratégias, cuidados e precauções para garantir uma volta às aulas que possa assegurar a saúde de professores e crianças e a tranquilidade das famílias. A conversa teve a mediação do editor do Trem das Letras, Rubem Barros. O encontro marcou também o lançamento do e-book “A Covid-19 nas escolas e o caminho para a retomada do presencial”, disponível para download, que pontua sobre os passos da retomada.  Texto publicado em 25/06/2020

  • O ano de 2020 marca o final do mandato de 12 dos 24 conselheiros do CNE, o Conselho Nacional de Educação. A primeira lista com sugestões de substitutos, deixada pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, provavelmente na correria a caminho do aeroporto, era composta principalmente por olavistas. Gerou resistência até dentro do próprio governo Bolsonaro. Diante do freio, puxado pelos militares, o ministro interino, Antonio Paulo Vogel de Medeiros, está fazendo uma nova rodada de discussão para a escolha de outros nomes.  A Casa Civil será um dos principais interlocutores para definir a lista final. Se o padrão das escolhas continuar o mesmo de outras áreas, é provável que as escolas cívico-militares ganhem fôlego inaudito. Texto publicado em 25/06/2020

  • Além do Fundeb, é preciso ficar de olho na possível votação da Medida Provisória 934, que estabelece normas de excepcionalidade para a educação básica e superior em 2020. O relatório da deputada Luísa Canziani (PTB/PR) manteve entre as emendas que devem ir a plenário a liberação da obrigatoriedade do cumprimento das 800 horas para a educação infantil e de oferta da educação a distância na mesma etapa. A relatora deixa a decisão nas mãos dos gestores municipais. Além de contrariar todas as evidências científicas e pedagógicas que enfatizam os prejuízos da educação a distância para as crianças de até 5 anos, a medida pode significar a abertura da porteira para os grupos privados que atuam no negócio da educação a distância. Com as redes de ensino sufocadas pela falta de dinheiro, com aumento das despesas por causa da pandemia e queda na arrecadação de impostos de até 24%, impactando diretamente no Fundeb, principal fonte de recursos para a educação básica pública, a EAD pode ser vista por muitos como solução milagrosa. Mas será apenas um instrumento para cumprir a obrigação legal de oferta de ensino. E inadequado, no caso da educação infantil. É preciso ver o que falará mais alto, se o rigor burocrático ou o bom senso. Texto publicado em 25/06/2020

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