Empatia e linguagem: alvo de educadores infantis

Empatia e linguagem: alvo de educadores infantis

Cerca de 70% dos profissionais que trabalham na educação infantil reportam o uso regular de atividades para estimular atitudes que visem ao desenvolvimento socioemocional das crianças (como o incentivo a ajudar os colegas), ou que facilitem o desenvolvimento da linguagem, por meio do canto ou de brincadeiras com rimas, por exemplo.

Este é o primeiro resultado mencionado pela OCDE na divulgação de sua pesquisa Talis – Providing Quality Early Childhood Education and Care, voltada às interações que promovem a qualidade na primeira infância. A pesquisa analisou o trabalho de lideranças e educadores (professores e assistentes) de nove países na pré-escola (4-5 anos) e quatro em creches (0-3 anos).

Nessa última amostra, há apenas países do que poderíamos chamar de primeiro escalão em termos de investimentos e cultura educacional: Dinamarca, Alemanha, Israel e Noruega. Os outros cinco são Chile, Islândia, Japão, Coreia do Sul e Turquia. Em algumas escolas não há divisão entre os dois grupos etários.

O estudo traz ainda diversos achados interessantes que, em alguns casos, apenas confirmam as intuições existentes. Uma delas é o apoio em termos de formações. Em todos os países, os educadores haviam passado por algum processo de reciclagem ou educação continuada nos 12 meses anteriores à pesquisa.

A falta de recursos e o número elevado de crianças por turma foram os motivos reportados como os maiores causadores de estresse entre docentes. Para os diretores, a inadequação de recursos físicos e humanos se soma à excessiva carga de trabalho administrativo como principais problemas. À medida do possível, Trem das Letras retornará ao relatório para aprofundar análises, ou simplesmente reportar outros dados.

Publicado em 25/10/2019

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Curtas

  • A infância e a adolescência têm sido alvo de profundas contradições na sociedade brasileira. É o que mostra o relatório comemorativo dos 30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, iniciativa do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado nesta terça, 12/11, em Brasília. Houve melhora acima das expectativas na redução da mortalidade infantil, boa evolução no número de crianças e adolescentes na escola (apesar dos problemas de qualidade) e redução significativa das ocorrências de trabalho infantil. Por outro lado, a violência contra crianças e adolescentes tem números aterradores. Como diz Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, é preciso consolidar os avanços obtidos na primeira infância. Mas “é essencial investir na adolescência e nos territórios mais vulneráveis, revertendo o quadro da violência e salvando vidas”. Texto publicado em 12/11/2019

  • No caso da primeira infância, um dos indicadores que mais evoluiu foi a queda da mortalidade infantil, derivada também do cuidado com as gestantes, mostra o levantamento do Unicef lançado na terça-feira, 12/11. Em 1990, havia 47,1 óbitos por crianças nascidas vivas, número reduzido para 13,4 em 2017. Para a representante do Unicef, Florence Bauer, isso é resultado direto de políticas de saúde que integraram o atendimento, por meio do SUS, e elevaram o acesso das gestantes aos cuidados pré-natal. “É importante salvaguardar e fortalecer esse processo”, salientou. O registro das crianças no primeiro ano de vida cresceu cerca de 50% de 1990 a 2013. Passou de 64% para 95% nesses 23 anos, um forte avanço em termos de cidadania. Outro ponto positivo foi a diminuição do número de crianças em situação de trabalho infantil. Em 1992, o número de crianças e adolescentes dos 5 aos 17 anos nessa situação era de 8,4 milhões, tendo caído para 2,7 milhões em 2015. Texto publicado em 12/11/2019

  • O acesso à escola também evoluiu consideravelmente, segundo o levantamento do Unicef. Se em 1990 ainda tínhamos 20% de crianças entre os 7 e 14 anos fora da escola, esse número agora caiu para 4,7%, e em faixa estendida para os 4 a 17 anos, como consequência da escolarização obrigatória aumentada em 2009. Porém, permanecem ainda fora da escola cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes nessa faixa da obrigatoriedade, a grande maioria adolescentes. Outro problema crítico está relacionado à evasão e repetência. Em 2018, 3,5 milhões abandonaram a escola ou foram retidos por baixo aproveitamento. Texto publicado em 12/11/2019

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