Buster Keaton em A General (1927)

O trem começou a andar!

Trem das Letras, um site de educação e cultura

Os trens são símbolos recorrentes da modernidade. Desde o início do cinema, com o registro dos irmãos Lumière, eles são uma das imagens mais frequentes quando se quer evocar o espírito do moderno, de uma nova velocidade que tomou conta do mundo entre os séculos 19 e 20.

É bem verdade que esta já foi completamente superada não só pelos atuais trens de altíssima velocidade, mas também pelos diversos dispositivos do mundo digital.

Mas os trens continuam a simbolizar também uma mobilidade até então pouco acessível, um processo de urbanização que marcou nossas sociedades. Com essas mudanças veio também a ideia de escolarização universal, da educação como um requisito fundamental para equilibrar as relações sociais, incentivar a cidadania e a vida democrática.

Nós, aqui em nosso país sempre lento e restritivo para reproduzir direitos universais, somos mais rápidos para absorver novidades tecnológicas. No caso do trem, levamos entre 30 ou 50 anos, a depender do marco que se quiser escolher entre os disponíveis na história inglesa.

Bem, tanta introdução é para dizer que Trem das Letras chegou com atraso, apesar de não ter marcado data. Mas levou quase um ano para ficar pronto, e ainda assim nasce pequeno. Mas traduz uma escolha: neste momento em que temos poucas convergências – seja nos canais de comunicação, seja na arena política nacional ou internacional – é uma opção por tentar olhar para seus temas de forma particular, sem os imperativos do mercado.

A aspiração aqui é a de trazer repertórios variados e questões educacionais que estão submersas na agenda pública. É uma tentativa de olhar o pouco visível, de reportar aquilo que não está sob o foco das luzes mais potentes. Um pouco como o personagem vivido por Buster Keaton em A General (foto), que reconquista uma locomotiva que havia sido tomada de assalto pelo exército da União, mas o faz apenas para conquistar a moça que é um de seus amores. O outro, obviamente, é a locomotiva.

Se for possível seguir por uma rota com um pouco dessa singularidade de Keaton, Trem das Letras carregará uma tripulação, ainda que pequena, realizada.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Curtas

  • A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou nesta quarta-feira, 12/02, manifesto em apoio à jornalista Patrícia Campos Mello, repórter da Folha de S.Paulo que, em 2018, fez uma série de reportagens denunciando disparos em massa no Whatsapp durante as eleições presidenciais daquele ano. Jornalistas e não jornalistas que quiserem assinar o manifesto da Abraji podem fazê-lo a partir de link no site da Associação. Em sessão da CPI das Fake News, no Congresso Nacional, a jornalista foi vítima de ataques e acusações do depoente Hans River do Rio Nascimento, que trabalhava então numa empresa que promovia os disparos e disse à época que teria muita coisa a denunciar. Ele foi uma das fontes da reportagem Empresários bancam campanha contra o PT pelo Whatsapp, publicada na Folha de S.Paulo em 18 de outubro de 2018. Na CPI, Nascimento disse que a repórter o havia assediado para obter informações sobre os disparos. Na edição de hoje, a Folha de S.Paulo aponta uma série de declarações mentirosas de Nascimento, incluindo o suposto assédio, mostrando cópias de mensagens de Whatsapp trocadas entre ambos. Em decorrência da série de reportagens, Patrícia Campos Mello já havia sido ameaçada à época por seguidores de Jair Bolsonaro. A matéria da jornalista e os textos que se seguiram ao inicial, no entanto, fizeram de Patrícia Campos Mello a jornalista mais premiada de 2019, segundo levantamento do Portal Jornalistas e Cia. Nascimento ressurgiu do anonimato agora, com o palco que a CPI lhe deu. Como maior atributo, continua tendo pleonasmo bilíngue de seu nome.   Texto publicado em 12/02/2020  

  • Depois de seis anos à frente da Diretoria de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, também membro do Conselho Nacional de Educação, está deixando a entidade do terceiro setor. A decisão se deve à aceitação do convite do Instituto de Estudos Avançados da USP de Ribeirão Preto para assumir a cátedra Sérgio Henrique Ferreira, que terá como objetivo contribuir para a melhoria da educação em cidades de médio porte. Segundo Antônio José da Costa Filho, coordenador do IEA-RP e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP/Ribeirão, declarou ao jornal da USP no lançamento da cátedra, em dezembro, essa contribuição deverá se dar primeiro na cidade de Ribeirão Preto, para depois ser estendida a outros municípios de características semelhantes. Sérgio Henrique Ferreira, falecido em 2016, era médico e farmacologista. Como pesquisador, deixou um grande legado aos fármacos e aos hipertensos: de suas pesquisas com o veneno da cobra jararaca, ainda nos anos 60, derivou a descoberta do fator de potenciação da bradicinina, que levou ao desenvolvimento do captopril, um dos medicamentos mais utilizados para o combate à pressão alta. Mozart Ramos, doutor em química pela Unicamp e pós-doutor pela Politécnica de Milão, foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco e secretário de Educação do mesmo estado. Como diretor do Instituto Ayrton Senna notabilizou-se por expandir fronteiras de atuação da instituição e pela criação de iniciativas como a Rede Nacional de Ciência para a Educação, com forte apoio às pesquisas em neurociência, entre outras áreas. No final do ano passado, no âmbito do CNE, foi o relator do parecer 22/2019, que tratava das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica, instituindo também a Base Nacional Comum para a formação. Publicado em 15/01/2020

  • Sucesso na avaliação do público em 2019, a peça Inferno, um interlúdio expressionista, adaptação de texto do dramaturgo norte-americano Tennessee Williams (Not about Nightingales, 1938), está de volta a São Paulo, de 27 de janeiro a 18 de fevereiro. O espetáculo será encenado às segundas e terças-feiras, às 21 horas, no Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1323, Pinheiros, tel. 3801-1843, perto do Metrô Sumaré, linha verde). Escrito a partir de um episódio verídico ocorrido na Pensilvânia, Estados Unidos, nos anos 30 do século passado, o texto retrata o universo de maus tratos em uma prisão sob a direção de um corrupto e arbitrário representante do Estado. A peça ganhou o prêmio de melhor estreia de 2019, pelo voto popular, no Guia da Folha, e foi indicada ao Prêmio Shell de melhor direção (André Garolli). Texto Publicado em 15/01/2020

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