A trajetória recente da profissão de professor em 15 tópicos

A trajetória recente da profissão de professor em 15 tópicos

A socióloga da educação Silke Weber, da Universidade Federal de Pernambuco, lista abaixo alguns marcos que ajudaram a desenhar e a valorizar a profissão docente nas últimas décadas:

  1. Anos 1960 e 1970 – Superação paulatina da natureza emergencial da formação docente que caracterizou os períodos iniciais de expansão da escolaridade obrigatória. Marcos: LDB 1961 (Lei 4.024, artigos 54 e 58); Lei de Diretrizes e Bases para o Ensino de 1º e 2º. graus (Lei 5.692/1971).
  2. Requerimento de formação em nível superior em vias de generalização (LDB 9.394/1996, Arts. 2º e 62º., e planos de educação estaduais e municipais. Ainda: iniciativas no âmbito do MEC, na Capes, após a Constituição de 1988, em especial no final da década 2001/2010).
  3. Reconhecimento do caráter mediador da prática pedagógica na relação entre sociedade e educação e do lugar central do professorado na aprendizagem dos alunos.
  4. Reconhecimento do caráter profissional da docência como princípio constitucional.
  5. Celebração do Pacto de Valorização do Magistério e da Qualidade da Educação, em outubro de 1994 (Documento elaborado no Fórum Permanente de Valorização do Magistério e Qualidade da Educação , cuja execução deveria ser acompanhada por Comissões Interinstitucionais relacionadas à educação (CEE, Undime, universidades etc.), sob a coordenação das secretarias estaduais de Educação, o que findou por se concretizar em apenas alguns estados, entre eles Pernambuco. O documento indicava prioridades a serem incorporadas nas políticas educacionais estabelecidas.
  6. Estabelecimento de referências básicas nacionais para a formulação de estatutos, carreira, salários e formação de professores pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) , em 1995.
  7. Implantação progressiva de remuneração docente compatível com o nível de formação obtido.
  8. Articulação orgânica entre formação, condições de trabalho e remuneração.
  9. Criação do Fundef (1997) e, dez anos depois, do Fundeb (2007).
  10. Demarcação de vínculos entre escolas e professores na tarefa de promover o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho como núcleo de preparação docente em licenciaturas de graduação plena.
  11. Debate sobre a reformulação do curso de Pedagogia e a contraposição da Base Nacional Comum e Diretrizes Curriculares Nacionais.
  12. MEC impulsionou a formação inicial e continuada de professores, mediante a instituição da Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, coordenada pela Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica, criada na Capes em 2009.
  13. Metas 15, 16, 17 e 18 do PNE (2011-2021, aprovado para 2015-2024) relacionadas à formação, à valorização e à carreira dos professores da Educação Básica.
  14. Resolução CNE/CP nº 2 de 1º de julho de 2015, que estabelece “Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, programas e cursos de formação pedagógica para graduandos) e cursos de segunda licenciatura e formação continuada”, síntese do longo percurso de fixação de sentidos que associou dimensão educativa e profissional da docência e a relacionou de forma orgânica à valorização do magistério.

15. Estabelecimento de concepção de docência como “ação educativa e processo pedagógico intencional e metódico”; cujo exercício requer “uma sólida formação científica e cultural inerente ao ensinar e ao aprender” (CNE, Art. 2º, §1º), ou seja, uma formação específica direcionada à melhoria da qualidade social da educação e à valorização profissional.

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Curtas

  •   Teve início em 29/06  a websérie “Caminhos do Devir – Volta às aulas pós-Covid-19”, com o debate sobre “Como aplicar a gestão de crises para planejar a volta às aulas de forma segura”. Os educadores e sócio-fundadores da Devir Projetos Educacionais, Luis Laurelli e Eloisa Ponzio, além do consultor Flávio Schmidt, consultor em gestão de crises do Grupo Trama Comunicação, analisaram as estratégias, cuidados e precauções para garantir uma volta às aulas que possa assegurar a saúde de professores e crianças e a tranquilidade das famílias. A conversa teve a mediação do editor do Trem das Letras, Rubem Barros. O encontro marcou também o lançamento do e-book “A Covid-19 nas escolas e o caminho para a retomada do presencial”, disponível para download, que pontua sobre os passos da retomada.  Texto publicado em 25/06/2020

  • O ano de 2020 marca o final do mandato de 12 dos 24 conselheiros do CNE, o Conselho Nacional de Educação. A primeira lista com sugestões de substitutos, deixada pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, provavelmente na correria a caminho do aeroporto, era composta principalmente por olavistas. Gerou resistência até dentro do próprio governo Bolsonaro. Diante do freio, puxado pelos militares, o ministro interino, Antonio Paulo Vogel de Medeiros, está fazendo uma nova rodada de discussão para a escolha de outros nomes.  A Casa Civil será um dos principais interlocutores para definir a lista final. Se o padrão das escolhas continuar o mesmo de outras áreas, é provável que as escolas cívico-militares ganhem fôlego inaudito. Texto publicado em 25/06/2020

  • Além do Fundeb, é preciso ficar de olho na possível votação da Medida Provisória 934, que estabelece normas de excepcionalidade para a educação básica e superior em 2020. O relatório da deputada Luísa Canziani (PTB/PR) manteve entre as emendas que devem ir a plenário a liberação da obrigatoriedade do cumprimento das 800 horas para a educação infantil e de oferta da educação a distância na mesma etapa. A relatora deixa a decisão nas mãos dos gestores municipais. Além de contrariar todas as evidências científicas e pedagógicas que enfatizam os prejuízos da educação a distância para as crianças de até 5 anos, a medida pode significar a abertura da porteira para os grupos privados que atuam no negócio da educação a distância. Com as redes de ensino sufocadas pela falta de dinheiro, com aumento das despesas por causa da pandemia e queda na arrecadação de impostos de até 24%, impactando diretamente no Fundeb, principal fonte de recursos para a educação básica pública, a EAD pode ser vista por muitos como solução milagrosa. Mas será apenas um instrumento para cumprir a obrigação legal de oferta de ensino. E inadequado, no caso da educação infantil. É preciso ver o que falará mais alto, se o rigor burocrático ou o bom senso. Texto publicado em 25/06/2020

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