Creches dobram matrículas em 15 anos

Pré-escola se aproxima de universalização e número de professores de educação infantil cresce 32% em 7 anos

Texto publicado em 07/04/2020

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Houve um expressivo aumento do número de matrículas em creches e pré-escolas desde o início do século 21, em 2001. No período entre 2002 e 2017, segundo dados do Inep compilados pelo Anuário Brasileiro da Educação Básica, edições 2017 e 2019, as matrículas em creches pularam de 15% do total de crianças na faixa etária de 0 a 3 anos para 34%. Já na pré-escola, o salto foi de 67% para 93%, o que nos aproxima da média da OCDE para 5 anos de idade (95%).

Assim como outros números a seguir, esses dados foram tirados da apresentação que a professora Maria Malta Campos faria no evento do Todos pela Educação, de 9 a 11 de março, em Brasília. O evento foi cancelado no segundo dia, pela necessidade de prevenção contra o coronavírus.

Um aspecto a ser ressaltado na cobertura de creches e pré-escolas é o fato de, agora, 71% dessas matrículas terem lugar nas redes municipais de ensino, o que as obrigou a um grande redimensionamento. No total, são 8,7 milhões de crianças de 0 a 5 anos com acesso a escolas no Brasil.

A esse aumento correspondeu também uma expressiva elevação do número de docentes na Educação Infantil. De 2008 a 2015, houve um crescimento de 32%, de 353 mil para 518 mil professores/as. Como ela aponta num resumo de problemas relativos à formação no final deste texto, o ponto crítico aqui são muitos dos cursos superiores que oferecem a licenciatura em pedagogia, sobretudo aqueles a distância.

Comparação surpreendente

Os números brasileiros relativos às creches surpreendem na comparação com outros países latino-americanos e chegam a se aproximar de países da OCDE. Enquanto a cobertura no Brasil atinge 37% das crianças de 2 anos, na Argentina são 10%, no Chile, 31% e no México, 5%. A média da OCDE para essa idade é de 40%. Já aos 3 anos, o Brasil atinge os 60%, contra 40% da Argentina, 55% do Chile, 45% do México e 78% da média da OCDE. A média brasileira de 34% se deve às faixas de 0 e 1 ano, com números menores.

Nos 4 e 5 anos, os números são bem próximos aos desses mesmos três países. Para os 4 anos, Brasil e Argentina têm cobertura de 80%, contra 87% do Chile e 89% do México (média da OCDE de 88%). Para os 5 anos, 92% do Brasil, 99% da Argentina, 93% do Chile e 100% do México. A média da OCDE é de 95%.

Maria Malta Campos aponta que as desigualdades diminuíram na pré-escola, mas aumentaram nas creches quando são levados em conta aspectos como renda familiar, local de moradia e outros.

A infraestrutura escolar também deixa muito a desejar. Os maiores índices entre os aspectos selecionados pela pesquisadora são a presença de banheiros dentro do prédio (89,6% das creches têm; 85% das pré-escolas) e água filtrada (87,7% e 82,6%, respectivamente). Já os banheiros com pias e vasos sanitários adaptados para crianças estão presentes em apenas 51,4% das creches e 34,3% das pré-escolas.

Os parques infantis, espaços vitais para crianças pequenas que precisam desenvolver a coordenação motora e estar em contato com a natureza, estão presentes em 40% das creches e 28,6% das pré-escolas.

Índice claro do baixo valor da leitura e do conhecimento no país, as salas de leitura estão presentes em apenas 15,4% das creches e 15,7% das pré-escolas.

Pontos críticos

As áreas mais mal avaliadas no que diz respeito a creches são as atividades e rotinas de cuidados pessoais. Já nas pré-escolas são as atividades e a estrutura dos programas.

Como aponta a pesquisadora, a situação da criança está muito ligada à condição da mulher. Nos estratos mais pobres, há muitas mulheres chefes de família. Em 2007 eram 18%, sendo que destas 35% estavam abaixo da linha de pobreza. Nos domicílios com crianças de 0 a 6 anos no Brasil, 12% são extremamente pobres, com índices maiores no Norte e Nordeste (17% e 22%, respectivamente).

Formação docente

Em sua apresentação, a professora Maria Malta Campos também fazia uma série de alertas com relação aos problemas da formação de professores. As questões que ela aponta estão a seguir:

  • Exigência de curso superior na LDB: período de carência sempre prorrogado…
  • Aumento na porcentagem de professores de EI com nível superior: 67% em 2017 (Censo Escolar)
  • Critérios desiguais na contratação de professores para creche e pré-escola
  • Admissão de auxiliares no lugar de professores, com escolaridade e tipo de contrato mais precário
  • Pequeno espaço conferido a EI nos cursos de pedagogia (Gatti; Nunes, 2009)
  • Mudanças previstas e necessárias em ritmo lento
  • Crescimento de cursos privados a distância de baixa qualidade
  • Descontinuidade nos programas de iniciação à docência
  • Problemas nas modalidades de formação continuada oferecidas pelas redes municipais

Cadastre-se para receber novidades por e-mail

Mantemos os seus dados privados e os compartilhamos apenas com terceiros que tornam este serviço possível.

Curtas

  • A valorização de experiências formativas nas áreas de educação infantil e alfabetização está entre os principais destaques da 10ª edição do Prêmio Professor Rubens Murillo Marques, concurso anual promovido pela Fundação Carlos Chagas desde 2011. Voltado aos professores formadores dos cursos de licenciatura e pedagogia, o prêmio está com inscrições abertas até dia 10 de agosto de 2020. A submissão de projetos é realizada on-line. Serão premiadas três iniciativas de formadores, sendo que uma delas, necessariamente, será de educação infantil e/ou alfabetização. Os autores premiados ganham R$ 20 mil, diploma, troféu (réplica de escultura da artista plástica Vera Lúcia Richter) e publicação de texto detalhando a experiência na Série Textos FCC. O edital e o regulamento do prêmio podem ser consultados on-line, assim como a página da iniciativa, que traz informações sobre os ganhadores de anos anteriores. Texto publicado em 08/05/2020

  • Enquanto o isolamento continua em voga, a solução é distrair-se com o que pode chegar à sua casa. É o caso dos livros que estão sendo distribuídos pela plataforma digital “Eu faço Cultura”, iniciativa normalmente também voltada à distribuição de ingressos para teatro e cinema que agora está com foco apenas na literatura. No total, são 16 títulos e 2.250 livros, que podem ser pedidos diretamente pelo site, com entrega gratuita para todo o país. Entre as obras, há desde o infantil O Humor é azul – O lado engraçado do autismo, do cartunista e caricaturista Rodrigo Tratamonte, até romances históricos. No caso de Tratamonte, ele próprio é portador da Síndrome de Asperger, autismo de grau leve. Lembrando que abril é o mês da conscientização do Autismo. Há outras opções infantis, infantojuvenis e com uma pegada mais adulta, como Chama e cinzas, de Carolina Nabuco (1890-1981), livro de 1947, da mesma autora de A sucessora, que retrata o universo das mulheres em meio à sociedade burguesa na primeira metade do século 20.   Em princípio, a distribuição de ingressos para cinema e teatro deve voltar a ocorrer no mês de maio, caso não seja necessário estender por mais tempo o isolamento social. Texto publicado em 13/04/2020

  • Nestes tempos de overdose de internet, uma boa saída é tentar dar mais utilidade às horas à frente do computador. Para isso, algumas instituições estão deixando à disposição dos usuários conteúdos gratuitos, tendo em mente a abertura de novas portas para depois do término ou amenização da crise. Os cursos curtos, em sua maioria de 10 e 20 horas, são a aposta da Unicesumar, instituição que há tempos aposta na EAD. Entre os 70 cursos disponíveis, há feijão e arroz (e algum tempero) sobre marketing, mas também alguns temas que podem ajudar o usuário a conhecer novos universos, ao menos de forma introdutória. Entre eles, destaque para os cursos sobre arbitragem e resolução de conflitos, Big Data Overview e o mais tradicional, porém sempre necessário no Brasil, de Planejamento e Produção. Veja a lista completa aqui  Texto publicado em 13/04/2020

Redes Socias